ACOMPANHAMENTO TÉCNICO NO MANEJO INTEGRADO DE MILHO E SOJA EM CONDIÇÕES DE CAMPO NO OESTE DE SANTA CATARINA: EXPERIÊNCIA EM ESTÁGIO SUPERVISIONADO

Autores

  • Paulo Sérgio Gularte Unoesc
  • Mateus Auri dos Santos
  • André Sordi
  • Alceu Cericato
  • Diego Fernando Daniel
  • Margarida Flores Roza-Gomes
  • Joziane Battiston
  • Claudia Klein

Resumo

A produção agrícola brasileira, especialmente nas culturas de milho (Zea mays L.) e soja (Glycine max L.), apresenta elevada importância econômica e estratégica, sendo fundamental para o abastecimento interno e para as exportações. Nesse cenário, o sucesso produtivo depende da adoção de práticas de manejo adequadas, que envolvem desde a correta implantação das lavouras até o monitoramento contínuo de fatores bióticos e abióticos. A eficiência dessas práticas está diretamente relacionada à regulagem de máquinas, qualidade das operações agrícolas, manejo nutricional e controle fitossanitário, aspectos que influenciam o estabelecimento inicial das plantas, o desenvolvimento vegetativo e a produtividade final. Além disso, desafios como variabilidade climática, resistência de pragas e doenças e aumento dos custos de produção reforçam a necessidade de acompanhamento técnico constante e tomada de decisão baseada em critérios agronômicos. A realização do estágio supervisionado permitiu a integração entre teoria e prática, possibilitando o contato direto com a realidade do campo e a compreensão dos principais fatores que interferem no desempenho das culturas. Nesse contexto, buscou-se acompanhar as etapas de implantação e manejo do milho e da soja, analisando as práticas adotadas, sua eficiência operacional e os impactos sobre o desenvolvimento das lavouras. Também se objetivou desenvolver habilidades técnicas relacionadas à regulagem de equipamentos, diagnóstico de problemas em campo, identificação de pragas e doenças e recomendação de manejos adequados, considerando aspectos produtivos, econômicos e ambientais. As atividades foram conduzidas no município de São José do Cedro (SC), durante a safra agrícola 2025/26, em áreas comerciais assistidas tecnicamente. Inicialmente, foram realizadas regulagens de máquinas e implementos agrícolas, com destaque para semeadoras e pulverizadores. Na semeadura, avaliou-se a calibração dos dosadores de sementes e fertilizantes, ajuste de profundidade, espaçamento entre linhas e velocidade de operação, visando garantir uniformidade na distribuição e adequado estande inicial. Foram observadas diferenças entre semeadoras mecânicas e pneumáticas, sendo estas últimas mais eficientes na deposição uniforme de sementes. No pulverizador, procedeu-se à calibração da vazão, pressão, tipo de bico e volume de calda, assegurando maior eficiência nas aplicações e redução de perdas por deriva ou sobreposição. No manejo da cultura do milho, foram acompanhadas práticas como dessecação pré-plantio com herbicidas de diferentes mecanismos de ação, visando o controle eficiente de plantas daninhas e a formação de um ambiente favorável à emergência. O plantio foi realizado considerando condições ideais de umidade e temperatura do solo, além de parâmetros técnicos que influenciam o estande e a uniformidade da lavoura. A adubação nitrogenada em cobertura foi realizada em estádios fenológicos estratégicos, com o objetivo de suprir a demanda da cultura e maximizar o potencial produtivo. O monitoramento fitossanitário constituiu uma etapa fundamental, permitindo a identificação de pragas como percevejos, tripes, lagarta-do-cartucho e cigarrinha-do-milho, além de doenças foliares e bacterioses. As decisões de controle foram baseadas no manejo integrado, considerando níveis de dano econômico, uso racional de defensivos e preservação de inimigos naturais. Observou-se, na prática, a crescente dificuldade no controle de algumas pragas, associada à pressão de seleção e possíveis casos de resistência. Na cultura da soja, o acompanhamento incluiu a semeadura, com definição de população de plantas e regulagem dos equipamentos, além da adubação baseada em análise de solo e inoculação para fixação biológica de nitrogênio. O manejo pré-emergente de plantas daninhas foi realizado com herbicidas residuais, reduzindo a competição inicial. Ao longo do ciclo, foram realizados monitoramentos para identificação de pragas e doenças, com destaque para percevejos, tripes, septoriose e podridões radiculares, sendo adotadas estratégias de controle conforme recomendações técnicas. A vivência prática proporcionou uma compreensão integrada dos sistemas produtivos, evidenciando que a eficiência das operações agrícolas e o monitoramento constante são determinantes para o sucesso das lavouras. Falhas na implantação ou na condução do manejo podem comprometer significativamente a produtividade, enquanto práticas bem executadas contribuem para maior eficiência e sustentabilidade. Além disso, o estágio permitiu compreender os desafios enfrentados pelos produtores, como variações climáticas, custos de produção e necessidade de decisões rápidas e assertivas. Dessa forma, a experiência contribuiu de maneira significativa para a formação profissional, permitindo o desenvolvimento de habilidades técnicas, senso crítico e capacidade de tomada de decisão. Reforçou-se a importância da assistência técnica qualificada, da atualização constante e da adoção de práticas sustentáveis, essenciais para garantir produtividade, rentabilidade e responsabilidade ambiental no sistema agrícola.

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Publicado

2026-04-23

Como Citar

Gularte, P. S., Auri dos Santos, M., Sordi, A., Cericato, A., Daniel, D. F., Flores Roza-Gomes, M., … Klein, C. (2026). ACOMPANHAMENTO TÉCNICO NO MANEJO INTEGRADO DE MILHO E SOJA EM CONDIÇÕES DE CAMPO NO OESTE DE SANTA CATARINA: EXPERIÊNCIA EM ESTÁGIO SUPERVISIONADO. Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc São Miguel Do Oeste, 11, e39359. Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/apeusmo/article/view/39359

Edição

Seção

Área das Ciências Agrárias – Resumos expandidos