VIVÊNCIAS TÉCNICAS NO MANEJO INICIAL DA CULTURA DO MILHO NO EXTREMO OESTE CATARINENSE: CONTRIBUIÇÕES DO ESTÁGIO EM AGRONOMIA EM UMA EMPRESA DE AGRONEGÓCIOS

Autores

  • Diogo Weslei Orth
  • Margarida Flores Roza-Gomes UNOESC
  • Joziane Battiston
  • André Sordi
  • Claudia Klein
  • Diego Fernando Daniel
  • Paulo Sérgio Gularte

Resumo

O estágio curricular supervisionado II foi desenvolvido em uma empresa de Agronegócios, no período de 15 de outubro a 15 de novembro de 2025, com atuação no Extremo Oeste de Santa Catarina. Foi acompanhado a semeadura e o desenvolvimento inicial do milho e de outras culturas. A cultura do milho, de grande importância para a região, ela apresenta alta sensibilidade aos manejos adotados na fase inicial, especialmente quanto à semeadura, estabelecimento do estande e controle de pragas, sendo essas etapas determinantes para o desempenho produtivo da cultura. O objetivo do estágio foi integrar conhecimentos teóricos à prática profissional, com foco na avaliação do estabelecimento inicial do milho, no acompanhamento de semeaduras de outras culturas, na identificação de pragas-chave e na recomendação de manejos técnicos adequados às condições edafoclimáticas e à realidade dos produtores. O desenvolvimento do estágio envolveu atividades de campo em aproximadamente 30 dias, abrangendo visitas técnicas a lavouras comerciais localizadas nos municípios de Anchieta, Romelândia, São Miguel do Oeste, Palma Sola, Itapiranga, Pinhalzinho e Saudades (todos os municípios do Estado de Santa Catarina), totalizando dezenas de áreas acompanhadas em diferentes estádios fenológicos iniciais das culturas. As principais atividades realizadas incluíram o acompanhamento de semeaduras de milho com híbridos, auxílio na regulagem de semeadoras conforme população desejada, espaçamento e tamanho de sementes e aferição prática da profundidade de deposição da semente. Foram realizadas orientações técnicas relacionadas à regulagem de semeadoras, avaliação da distribuição longitudinal das sementes e aferição da profundidade de semeadura, utilizando trena para medições em sulcos de 1 a 2 metros, verificando-se profundidades médias entre 3 e 5 cm em solos mais argilosos e entre 5 e 7 cm em solos mais arenosos, conforme as recomendações técnicas para adequado estabelecimento da cultura. Também foram realizadas avaliações de emergência, vigor inicial e uniformidade do estande, bem como monitoramento sistemático de pragas, com destaque para a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), tripes (Frankliniella williamsi), cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) e percevejo-barriga-verde (Dichelops melacanthus). Em situações de ocorrência dessas pragas, foram repassadas orientações técnicas individualizadas aos produtores, envolvendo o uso de tratamento de sementes, escolha de híbridos tolerantes, monitoramento frequente e aplicação de inseticidas nos momentos críticos. Durante o estágio, observou-se maior incidência de lagarta-do-cartucho e tripes em áreas com déficit hídrico, enquanto a cigarrinha-do-milho esteve presente em várias lavouras, porém sem causar danos expressivos, possivelmente em função da utilização de híbridos tolerantes, do monitoramento constante e da ocorrência de precipitações regulares no período. Em relação ao percevejo-barriga-verde, foram constatados danos pontuais em lavouras com falhas na dessecação pré-semeadura, reforçando a importância do manejo integrado de pragas. De acordo com a pessoa que acompanhou o estágio, a mesma mencionou que o ataque de percevejos tem se tornado bem frequente na cultura do milho e isso pode comprometer muito a produção final. O percevejo-barriga-verde é o que causa os maiores e mais irreversíveis danos à cultura do milho, pois seu ataque a cultura só vai ser percebido depois da planta começar a se estabelecer. Ou seja, na maioria das vezes, os danos só são percebidos depois de um tempo, e pode ser tarde, em casos em que a única saída é refazer toda a semeadura. De modo geral, as atividades desenvolvidas possibilitaram a aplicação prática de conceitos relacionados à implantação da cultura do milho, manejo de pragas e tomada de decisão técnica, evidenciando a relevância do acompanhamento contínuo das lavouras desde a semeadura até os estádios iniciais de desenvolvimento. Conclui-se que o estágio proporcionou significativo amadurecimento técnico e profissional, evidenciando a importância do acompanhamento contínuo das lavouras permitindo compreender a complexidade do manejo do milho em condições reais de campo, além de reforçar a importância da atuação responsável do engenheiro agrônomo junto aos produtores, na tomada de decisão baseada em critérios agronômicos e da adaptação das recomendações à realidade de cada produtor. Isso reforça que o sucesso da cultura do milho depende, de forma decisiva, da qualidade dos manejos adotados desde a semeadura até o estabelecimento inicial da lavoura.

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Publicado

2026-02-20

Como Citar

Orth, D. W., Roza-Gomes, M. F., Battiston, J., Sordi, A., Klein, C., Daniel, D. F., & Gularte, P. S. (2026). VIVÊNCIAS TÉCNICAS NO MANEJO INICIAL DA CULTURA DO MILHO NO EXTREMO OESTE CATARINENSE: CONTRIBUIÇÕES DO ESTÁGIO EM AGRONOMIA EM UMA EMPRESA DE AGRONEGÓCIOS. Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc São Miguel Do Oeste, 10, e39121 . Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/apeusmo/article/view/39121

Edição

Seção

Área das Ciências Agrárias – Resumos expandidos