ACOMPANHAMENTO AGRONÔMICO E MANEJO FITOSSANITÁRIO DE TRIGO, SOJA E MILHO NO OESTE CATARINENSE: EXPERIÊNCIA TÉCNICA EM SISTEMAS DE PRODUÇÃO
Resumo
Introdução: O estágio curricular supervisionado constitui uma etapa essencial na formação do engenheiro agrônomo, pois permite a integração entre os conhecimentos teóricos adquiridos ao longo da graduação e a vivência prática em contextos reais de produção agrícola (Andrade; Ávila, 2024; Santos; Morais, 2024). Inserido na realidade do Oeste de Santa Catarina, região marcada pela expressiva produção de grãos destinados principalmente às cadeias de proteína animal (Dentz; Espíndola, 2019), o estágio possibilitou compreender, de forma aplicada, os desafios técnicos relacionados ao manejo fitossanitário e ao acompanhamento do desenvolvimento das culturas de trigo (Triticum aestivum), soja (Glycine max) e milho (Zea mays). Nesse contexto, a atuação do profissional de Agronomia é fundamental para o diagnóstico adequado de pragas, doenças e plantas daninhas, bem como para a recomendação de estratégias de manejo integradas, eficientes e sustentáveis (Daniel et al., 2021; Tinoco; Silva; Rocha, 2023). Assim, o presente resumo tem como objetivo sintetizar as atividades desenvolvidas durante o Estágio Curricular Supervisionado, destacando as principais experiências técnicas e sua contribuição para a formação acadêmica e profissional. Desenvolvimento: O estágio curricular supervisionado foi desenvolvido no Oeste de Santa Catarina, com foco no acompanhamento técnico de lavouras comerciais de trigo, soja e milho, realizado junto a uma empresa de representações agrícolas. As atividades concentraram-se no monitoramento fitossanitário, na avaliação do desenvolvimento das culturas ao longo de seus estádios fenológicos e na participação em ações de extensão rural, proporcionando contato direto com a realidade produtiva regional. Ao longo do período, foram acompanhadas aproximadamente 120 lavouras, distribuídas em diferentes municípios do oeste catarinense (São Miguel do Oeste, Pinhalzinho, Maravilha, Guaraciaba, Bandeirante e Iporã do Oeste), totalizando uma área monitorada superior a 1.500 hectares. Na cultura do trigo, as atividades envolveram a identificação e a avaliação da severidade de doenças foliares, com destaque para a ferrugem-da-folha (Puccinia triticina) e a giberela (Fusarium graminearum), além do monitoramento de pragas, como a lagarta-da-espiga (Helicoverpa armigera) e pulgões (Rhopalosiphum padi), e da infestação por plantas daninhas, especialmente buva (Conyza spp.) e azevém (Lolium multiflorum). A partir das observações a campo, foram discutidas estratégias de manejo integrado, incluindo o uso racional de fungicidas, inseticidas e herbicidas, práticas culturais e medidas preventivas, visando à redução de perdas produtivas e à mitigação do risco de resistência de patógenos e plantas daninhas (Ferreira, 2008). Na cultura da soja, o acompanhamento concentrou-se no manejo em pré-semeadura, com ênfase na dessecação antecipada e no uso de herbicidas pré-emergentes. Entre os produtos empregados, destacaram-se flumioxazina e diclosulam, herbicidas com diferentes mecanismos de ação, amplamente utilizados nas condições edafoclimáticas de Santa Catarina. Foram avaliadas áreas com elevada infestação de plantas daninhas, nas quais se observou alta eficiência do manejo sequencial na supressão de novos fluxos de emergência durante o período inicial de desenvolvimento da cultura. O manejo recomendado iniciava-se com a dessecação antecipada em pré-semeadura, realizada com glyphosate associado a 2,4-D, visando ao controle das plantas daninhas já emergidas. Após a semeadura, realizava-se a aplicação de herbicidas pré-emergentes com efeito residual, assegurando o controle preventivo das infestantes. Em situações pontuais, adotou-se o manejo em pós-emergência inicial (V2–V3) com herbicidas seletivos. Quando necessário, efetuou-se manejo em pós-emergência com glyphosate, conforme o sistema RR/Intacta. O manejo adotado favoreceu o estabelecimento da cultura e reduziu a necessidade de intervenções corretivas nas condições edafoclimáticas de Santa Catarina. A maioria das lavouras monitoradas apresentaram adequado estabelecimento, boa sanidade e ausência de interferência significativa de plantas daninhas nas fases iniciais, evidenciando a importância do planejamento antecipado das operações de manejo. Para a cultura do milho, as atividades abrangeram o monitoramento sistemático de doenças foliares, com destaque para a antracnose (Colletotrichum graminicola) e a ferrugem-comum (Puccinia sorghi), além da identificação e acompanhamento de pragas emergentes, incluindo tripes (Frankliniella williamsi), cigarrinha-do-milho (Dalbulus maidis) e percevejos, principalmente Dichelops melacanthus e Dichelops furcatus. O estágio possibilitou compreender a dinâmica populacional dessas pragas e doenças, bem como os riscos associados à transmissão de patógenos e às perdas de produtividade, evidenciando a relevância do monitoramento contínuo para a tomada de decisão técnica. O monitoramento semanal das lavouras mostrou-se fundamental para a definição de estratégias de manejo, destacando-se a recomendação do uso de híbridos de milho com menor suscetibilidade a doenças foliares e pragas-chave, em contraste com híbridos mais suscetíveis, nos quais a pressão fitossanitária foi mais intensa e exigiu intervenções mais frequentes. As ações de manejo enfatizaram, ainda, a eliminação de milho tiguera como medida essencial para a redução da população de insetos vetores, o uso complementar de controle biológico e a adoção criteriosa do manejo químico, com base em níveis de infestação e risco econômico (Medeiros et al., 2017). Adicionalmente, foram observados fluxos de plantas daninhas, como capim-amargoso (Digitaria insularis), buva (Conyza spp.), capim-pé-de-galinha (Eleusine indica) e corda-de-viola (Ipomoea spp.), que demandaram intervenções com herbicidas específicos para evitar a competição inicial e prejuízos ao estabelecimento da cultura. Outra atividade relevante consistiu na participação na organização e execução de dois dias de campo, realizados nos municípios de Pinhalzinho e Iporã do Oeste, que reuniram, ao todo, mais de 150 produtores rurais e técnicos. Nesses eventos, foram apresentados resultados de ensaios demonstrativos, incluindo comparações entre fungicidas, inseticidas e diferentes estratégias de manejo integrado, evidenciando a relevância da extensão rural e da transferência de conhecimento técnico-científico ao produtor. Considerações finais: O Estágio Curricular Supervisionado representou uma experiência formativa relevante, contribuindo de maneira significativa para a consolidação dos conhecimentos técnicos e para o desenvolvimento de competências profissionais essenciais à atuação do engenheiro agrônomo. A vivência em campo possibilitou o aprimoramento das habilidades de diagnóstico fitossanitário, interpretação de sintomas, tomada de decisão e comunicação técnica com produtores rurais. Além disso, evidenciou a importância do manejo integrado de pragas, doenças e plantas daninhas, bem como do monitoramento contínuo das lavouras para a obtenção de sistemas produtivos eficientes e sustentáveis. A participação em atividades de extensão rural reforçou o papel do agrônomo como agente de difusão tecnológica, responsável por articular o conhecimento científico às demandas práticas do setor produtivo. Por fim, o estágio proporcionou uma visão ampla da realidade agrícola do Oeste catarinense, destacando desafios recorrentes, como a resistência de plantas daninhas e a pressão de pragas emergentes, ao mesmo tempo em que evidenciou oportunidades de inovação, aprendizado contínuo e crescimento profissional.
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