ENTRE A ROMANTIZAÇÃO E ESTIGMA SOCIAL: SEMIÓTICA DA APROPRIAÇÃO SIMBÓLICA DE PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA POR INFLUENCIADORES DIGITAIS

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Resumo

O presente trabalho analisa a apropriação simbólica de políticas de proteção social por influenciadores digitais e seus impactos na produção de estigmas. O objetivo é compreender como performances vinculadas à vulnerabilidade e ao consumo, exemplificadas pelos perfis "Diva do CRAS" e "Pobre Premium", reconfiguram a percepção pública sobre programas de transferência de renda. A fundamentação teórica articula a semiótica peirceana, a teoria do estigma de Goffman e a sociedade do espetáculo de Debord. Metodologicamente, realiza-se análise qualitativa de vídeos curtos (2021-2025), identificando uma "estética da contradição" que justapõe ícones da precariedade a índices de luxo. Discute-se como essa espetacularização tensiona os princípios constitucionais da Assistência Social, desvirtuando a natureza de programas de transferência de renda para enquadrá-los em narrativas de fraude ou favor. Os resultados demonstram que a pobreza, regida pela economia da atenção e monetização da controvérsia, converte-se em mercadoria imagética. Conclui-se que a prática, embora satírica, reforça o ódio de classe e desloca o auxílio da esfera do direito subjetivo para o julgamento moral de merecimento e desvaloriza beneficiários que, de fato, necessitam das políticas públicas.

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Publicado

22-01-2026

Como Citar

dos Santos Silva, T. L. (2026). ENTRE A ROMANTIZAÇÃO E ESTIGMA SOCIAL: SEMIÓTICA DA APROPRIAÇÃO SIMBÓLICA DE PROGRAMAS DE TRANSFERÊNCIA DE RENDA POR INFLUENCIADORES DIGITAIS. Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc Joaçaba, 10, e39094 . Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/apeuj/article/view/39094

Edição

Seção

Área das Ciências Sociais – Artigos