LUZ QUE REVELA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ANÁLISE QUANTITATIVA DE GLICOSE POR ESPECTROSCOPIA

Autores

  • Ana Paula Berwanger Universidade do Oeste de Santa Catarina
  • Ana Carla Draszewski Cechini Universidade do Oeste de Santa Catarina
  • Daniela Gavineski Pivotto Universidade do Oeste de Santa Catarina
  • Camila Amthauer Universidade do Oeste de Santa Catarina

Resumo

Introdução: A enfermagem é uma profissão essencial no cuidado e
prevenção de doenças, desempenhando um papel crucial na vitalidade e
bem estar dos pacientes. Com o avanço tecnológico, a espectroscopia
ganhou espaço e emergiu como ferramenta inovadora na análise de
biomarcadores, como a glicose, oferecendo resultados rápidos e precisos.
Segundo a Associação Americana de Educadores em Diabetes “...a
monitoração da glicose não é apenas reativa; ela é uma ferramenta preditiva
que alerta sobre tendências antes que eventos adversos ocorram”. Medir
“quanto” de uma substância existe em uma amostra é parte central do
trabalho em saúde, e a espectroscopia é um caminho simples para fazer isso
usando luz e cor. Quando a luz atravessa soluções coloridas, parte dela é
absorvida. Essa absorção aumenta conforme a concentração do que se
deseja medir, permitindo transformar uma leitura de absorbância em número
de concentração com auxílio de uma curva de calibração. Parafraseando
de Richard C. Lorde, pioneiro em espectroscopia molecular, “a
espectroscopia transformou o invisível em mensurável, permitindo-nos compreender a estrutura da matéria". Objetivo: Relatar a experiência de
utilização da espectroscopia como método de análise quantitativa de
glicose, demonstrando sua eficácia e aplicabilidade na determinação de
concentrações em amostras laboratoriais. Metodologia: Trata-se de um relato
de experiência, de uma atividade desenvolvida por estudantes da 2ª fase do
Curso de Graduação em Enfermagem da Unoesc, campus São Miguel do
Oeste, Santa Catarina. A atividade foi realizada em outubro de 2025, no
laboratório de análises clínicas. O laboratório conta com bancada, centrífuga
de laboratório, banho termostático, vidrarias comuns e acesso a um
espectrofotômetro. Para tanto, os estudantes tiveram de preparar padrões de
glicose em concentrações conhecidas, medir a absorbância em um
comprimento de onda compatível com o reagente cromogênico adotado,
construir a curva (absorbância vs. concentração) e, por interpolação, estimar
a concentração de amostras “problema” simulando um cenário real de
medição. A atividade laboratorial foi iniciada com a coleta de amostras
sanguíneas periféricas de dois voluntários, totalizando um volume de 10 mL por
indivíduo, acondicionado em tubos de ensaio distintos. Concluída a fase pré
analítica, as amostras foram submetidas a um ciclo de centrifugação de dez
minutos, visando a separação dos componentes líquidos conforme suas
respectivas densidades. Após a centrifugação, procedeu-se à adição dos
reagentes indicadores às frações líquidas. Os tubos foram agitados
manualmente até a obtenção de uma coloração uniforme de rosa claro,
permanecendo em banho termostático por um período adicional de dez
minutos para um aquecimento controlado e homogêneo. Em seguida, foi
realizada a calibração do espectrofotômetro (zeramento). Por fim, as
amostras foram analisadas pelo espectrofotômetro, e os resultados
quantitativos obtidos foram registrados e analisados pelos discentes.
Resultados: Os grupos observam aumento de absorbância proporcional ao
aumento de concentração dentro de uma faixa útil, permitindo uma curva
aproximadamente reta que simplifica o cálculo das amostras desconhecidas
a partir da equação da reta obtida. Diferenças entre grupos — por exemplo,
bolhas nas cubetas, resíduos de água no material ou tempos de reação desiguais — ajudam a discutir erro sistemático (afeta todos os pontos na
mesma direção) e erro aleatório (variação entre leituras), reforçando boas
práticas de preparação e leitura. A comparação entre leituras em triplicata
mostra que repetir medidas reduz incerteza e melhora a confiança nos
resultados, além de evidenciar a importância de registrar cada etapa,
incluindo volumes, tempos e qualquer desvio do procedimento. Como
limitação didática, destaca se a necessidade de checar a faixa linear
(evitando concentrações muito altas que “saturam” a leitura) e de padronizar
o comprimento de onda, pois mudanças nessas escolhas alteram a
sensibilidade e a exatidão do método. Considerações finais: A experiência
atinge o propósito de “revelar com luz” a quantidade de glicose, tornando
visível para o estudante como fenômenos ópticos se traduzem em números
práticos por meio da curva de calibração e de leituras reprodutíveis. Para a
formação, a atividade fortalece autonomia no manuseio de instrumentos,
organização de dados, comunicação de resultados e reflexão sobre erros,
habilidades transferíveis a outras dosagens químicas e biomédicas em
laboratório didático. Para a comunidade acadêmica local, o roteiro é de
baixo custo, replicável em diferentes turmas e alinhado a facilitar a
socialização de experiências em eventos de ensino e extensão. 

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Publicado

17-11-2025

Como Citar

Berwanger, A. P., Draszewski Cechini, A. C., Gavineski Pivotto, D., & Amthauer, C. (2025). LUZ QUE REVELA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE ANÁLISE QUANTITATIVA DE GLICOSE POR ESPECTROSCOPIA . Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc Joaçaba, 10, e38799 . Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/apeuj/article/view/38799

Edição

Seção

Área das Ciências da Vida e Saúde – Resumos expandidos