MÃOS QUE APRENDEM E CUIDAM: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA AÇÃO EDUCATIVA SOBRE A HIGIENE DAS MÃOS COM ALUNOS DA APAE
Resumo
Introdução: em uma pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e pelo Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) em 2022, a população brasileira com deficiência havia sido estimada em 18,6 milhões de pessoas com dois anos de idade ou mais (Agência IBGE, 2024). Sabe-se, atualmente, que o número de indivíduos com algum tipo de deficiência vem crescendo com o passar dos anos, o que tem reforçado a necessidade da formação de redes que se dedicam à luta contínua à educação, aos direitos e a saúde das pessoas com deficiência (PCD). Para isso, destaca-se a atuação da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE), uma instituição amplamente conhecida e indispensável para o cuidado da comunidade excepcional que abrange o atendimento de deficiências intelectual e múltipla, visando a inserção dos indivíduos na comunidade (APAE Brasil, [s.d]). A inclusão da PCD deve ser planejada de forma que respeite as particularidades cognitivas, motoras e sensoriais de cada um, estimulando o desenvolvimento da autonomia e participação social. Por isso, deve-se promover ações educativas para os alunos excepcionais regularmente, uma vez que a educação em saúde é uma ferramenta fundamental para a promoção do bem-estar, prevenção de doenças e incentivo ao autocuidado, além de torná-los protagonistas no processo de aprendizagem. A higienização das mãos, apesar de uma prática simples, é altamente eficaz na manutenção da saúde. As nossas mãos estão diretamente envolvidas em todas as atividades realizadas ao longo do dia, como se alimentar, abrir e fechar portas, ir ao banheiro, pegar objetos pessoais e tomar água, expondo as pessoas a superfícies, objetos ou alimentos contaminados. Desta forma, as mãos se tornam grandes veículos na propagação de microrganismos virais e bacterianos quando não são higienizadas da maneira correta. Nesse contexto, entende-se a importância de promover atividades direcionadas a medidas profiláticas para impedir a ocorrência, disseminação ou evolução de doenças preveníveis a partir de bons hábitos de higiene. Objetivo: relatar uma atividade de educação em saúde desenvolvida na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais sobre higienização das mãos. Método: trata-se de um relato de experiência da Atividade Prática de Extensão (APEx), realizada no dia 28 de fevereiro de 2025 APAE do município de São Miguel do Oeste, Santa Catarina. A atividade foi desenvolvida por acadêmicas da 5ª fase do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC), campus São Miguel do Oeste. A escolha do tema se deu através de uma conversa com a direção da escola, a qual manifestou a necessidade de abordar a higienização das mãos com os alunos após uma série de acontecimentos nos quais os alunos não estavam lavando suas mãos no ambiente escolar. Em virtude disso, a atividade foi desenvolvida prioritariamente a partir de uma apresentação em slides, a qual abordou conceitos, hábitos e recomendações de higiene, doenças transmitidas através do contato e o passo a passo correto da higienização das mãos. Para auxiliar no processo de aprendizagem, foram utilizados recursos visuais de imagem e vídeo, além de ser realizado, junto aos alunos, todas as etapas da lavagem das mãos para que eles pudessem repetir os movimentos e memorizar a prática com maior facilidade. Além disso, foram apresentadas duas imagens referentes a lâminas de cultura de microrganismos, uma correspondente a mãos limpas e outra de mãos sujas, para que os alunos conseguissem compreender que existem microrganismos nas nossas mãos mesmo que não os enxergamos a olho nu. Na sequência, foi aberta uma roda de conversa com os alunos para que pudessem relatar experiências e sanar suas dúvidas. Resultados e discussão: os recursos visuais utilizados favoreceram a assimilação dos alunos com a parte teórica da apresentação e despertaram o interesse e a curiosidade dos mesmos. O momento de maior participação e engajamento foi a demonstração do passo a passo sobre a higienização das mãos, quando os alunos repetiram o processo e foram auxiliados conforme as suas dificuldades, sendo ofertado a eles uma educação personalizada e centrada nas suas particularidades. A atividade foi ministrada no refeitório da escola, local estruturado com uma pia próximo a porta de entrada e saída onde os alunos deveriam lavar suas mãos antes e após as refeições, o que, segundo as professoras, não estava acontecendo. Após o término da roda de conversa, enquanto os alunos saíam da sala e passavam perto da pia, muitos pararam para lavar suas mãos e pediram para as acadêmicas verificarem se estavam fazendo a higienização da maneira correta, o que tornou a atividade mais dinâmica e compreensível para eles. O resultado do projeto foi extremamente satisfatório, os alunos participaram ativamente dos assuntos abordados, demonstraram interesse, entusiasmo e um ótimo envolvimento, adicionando suas experiências pessoais e familiares às falas das acadêmicas. De acordo com Teixeira et al. (2022), os cuidados preventivos gerais e, especialmente, a lavagem das mãos, devem ser de responsabilidade de todos. Dessa forma, é recomendável que esforços sejam cada vez maiores para aumentar a conscientização sobre a lavagem das mãos. Considerações finais: a utilização de materiais visuais e a prática foram fundamentais para a participação e assimilação dos conteúdos abordados. Com as metodologias adequadas, é possível promover saúde de forma inclusiva, contribuindo para o desenvolvimento da autonomia, autoestima e responsabilidade dos alunos, aspectos importantes para a inclusão social dos mesmos. Faz-se importante a realização de atividades de educação em saúde de forma periódica, utilizando de diferentes abordagens e maior aprofundamento nos assuntos. Também, as famílias dos alunos excepcionais podem ser envolvidas nas ações educativas como forma de ampliar esses conhecimentos para outros ambientes e não os restringindo somente à escola. A higienização das mãos, embora simples, é um procedimento indispensável para a promoção de saúde, prevenção de doenças e para a construção de uma vida mais saudável.
REFERÊNCIAS
APAE Brasil – Federação Nacional das Apaes. Quem somos. Brasília: DF, [s.d.]. Disponível em: https://apaebrasil.org.br/conteudo/quem-somos. Acesso em: 6 maio.2025.
Agência IBGE. Pessoas com deficiência têm menor acesso à educação, ao trabalho e à renda. Rio de Janeiro - RJ, 2024. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-noticias/2012-agencia-de-noticias/noticias/37317-pessoas-com-deficiencia-tem-menor-acesso-a-educacao-ao-trabalho-e-a-renda. Acesso em: 6 maio.2025.
SPDM. Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina. Por que é tão importante lavar as mãos? São Paulo - SP, 2016. Disponível em: https://spdm.org.br/noticias/saude-e-bem-estar/por-que-e-tao-importante-lavar-as-maos/. Acesso em: 6 maio.2025.
TEIXEIRA, J. A. L. et al. Educação em saúde sobre higienização das mãos: relato de experiência. Rev. Saúde.Com, v. 18, n. 2, p. 2682-2686, 2022.
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