MOTIVOS E IMPACTOS DA BAIXA COBERTURA VACINAL PARA A SAÚDE PÚBLICA: UMA REVISÃO NARRATIVA

Autores

  • Camila Amthauer Universidade do Oeste de Santa Catarina
  • Carol Smaniotto Universidade do Oeste de Santa Catarina

Resumo

Introdução: criado em 1973 e regulamentado em 1975 pelo Ministério da Saúde (MS), o Programa Nacional de Imunização (PNI) é responsável por promover a saúde da população brasileira e coordenar ações e campanhas anuais de vacinação, além de assegurar a todas as idades e grupos sociais o acesso gratuito à vacinação através do Sistema Único de Saúde (SUS). Sua finalidade é prevenir doenças transmissíveis, reduzir a disseminação de agentes infecciosos nas comunidades e preservar a saúde da população. Por meio da aplicação de versões inativadas ou atenuadas de vírus ou bactérias, as vacinas fazem com que o organismo produza anticorpos contra o invasor e criem a chamada memória imunológica, capaz de combater determinadas doenças caso haja adoecimento (Pfizer, 2023). Atualmente, os sistemas de saúde disponibilizam 47 imunobiológicos diferentes, sendo 30 vacinas, 13 soros e quatro imunoglobulinas, que incluem desde as vacinas presentes no Calendário Nacional de Vacinação, que oferecem proteção ao indivíduo durante todo o seu ciclo vital, até aquelas que são indicadas para grupos em condições de saúde especiais ou que devem ser administradas em situações específicas (Ministério da Saúde, [s.d]). De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que três milhões de mortes são evitadas todos os anos por conta da vacinação e, dentre as doenças imunopreveníveis, estão a poliomielite, sarampo, rubéola, tétano, coqueluche e outras doenças graves que podem ser fatais. No entanto, nem sempre essas informações chegam às pessoas e, por causa disso, é observada uma demora na aceitação vacinal ou até mesmo a recusa à imunização. Dessa forma, isso não apenas aumenta a probabilidade do retorno de doenças erradicadas, mas também contribui para um crescente problema de saúde pública. Objetivo: compreender os principais motivos e impactos da baixa cobertura vacinal para a saúde individual e coletiva. Método: trata-se de uma revisão narrativa, a qual tem como objetivo a análise e a interpretação de dados que não segue critérios sistemáticos. É uma forma de mapear os conhecimentos produzidos sobre um determinado tema.  A motivação para essa pesquisa se deu após uma palestra ministrada na 5º fase do Curso de Graduação em Enfermagem da Universidade do Oeste de Santa Catarina (UNOESC), campus São Miguel do Oeste, Santa Catarina. A palestra intitulada “A importância da vacinação e os impactos causados pela baixa cobertura vacinal” foi ministrada pela enfermeira responsável da sala de vacinação do município e abordou sobre os riscos oferecidos à população devido aos baixos índices da cobertura vacinal. Para isso, os materiais da revisão foram selecionados através de artigos científicos disponíveis em formato online e gratuito, sites do governo e instituições farmacêuticas. Resultados e discussão: em 2016, o Brasil recebeu o certificado de erradicação do sarampo, porém, em 2018, o vírus voltou a circular no país após a cobertura vacinal não alcançar bons índices em algumas regiões. Na época, estimava-se que cerca de 142 milhões de crianças no mundo não foram vacinadas e que o surto ocorreu devido a baixa conscientização da comunidade e da hesitação com as vacinas (Ministério da Saúde, [s.d]). Mesmo após o surto e a tentativa de conscientização da população, não houve sucesso em alcançar bons índices da cobertura vacinal. Por isso, em 2023, após um pedido da Pfizer, o Instituto Locomotiva conduziu uma pesquisa para investigar os motivos da queda da vacinação nos últimos anos. O estudo contou com a participação de duas mil mães de crianças e adolescentes de até 15 anos de idade e, para o levantamento dos dados, foi aplicado um questionário sobre os motivos para as mães não vacinarem seus filhos. Na primeira etapa, 50% das mães não lembravam da data da vacina, 38% não vacinaram seus filhos por falta de tempo, 35% moram longe do posto de vacinação e 25% perderam a caderneta de vacina. Na segunda etapa, quando questionadas sobre os motivos que mais atrapalham a vacinação, 45% justificaram a falta de informação ou conhecimento sobre o calendário vacinal, 39% o horário de funcionamento dos serviços de saúde, 39% a dificuldade de acesso à Unidade Básica de Saúde (UBS) ou clínicas, 39% a falta de informação sobre vacinas, 26% a falta de vacinas específicas do SUS, 18% falta de tempo, 17% falta de confiança nas vacinas, 10% falta de algum documento que impede a vacinação, 9% falta de profissionais para aplicação das vacinas, 9% baixa percepção do risco das doenças e 0,2% outros motivos (Pfizer, 2023). No mesmo ano, o Ministério da Saúde realizou um levantamento de dados abordando as principais dúvidas dos brasileiros em relação às vacinas. Os maiores questionamentos foram: “A vacina contra a Covid-19 causa câncer?”, “É possível as vacinas transmitirem câncer, substâncias tóxicas e outras doenças?”, “O que devo fazer para me vacinar?”, “Vacinas são fatais?”, “Vacinas causam autismo?”, “Vacinas contém microchips para controle populacional?”, “Se muitas vacinas estão erradicadas, para que me vacinar?”. Diante disso, percebe-se que, apesar das diferentes razões para a queda da cobertura vacinal, como a desconfiança na eficácia dos imunobiológicos, aspectos socioculturais, desigualdade social e a dificuldade em relação a acessibilidade em serviços de saúde, a desinformação é a maior responsável pela hesitação/recusa vacinal. Sabe-se que notícias falsas e sem bases científicas circulam facilmente nas comunidades e causam a disseminação de informações falsas e movimentos antivacinas, dificultando o acesso a informações verdadeiras sobre o calendário vacinal, a eficácia e a importância da vacinação. Confirma-se também, após a pesquisa, os riscos que a falta de imunização causa para a saúde como um todo, afinal, a vacinação individual protege também a imunidade de indivíduos não vacinados, sendo uma estratégia para promoção à saúde coletiva. Dentre os riscos descritos, tem-se o favorecimento da criação de ambientes favoráveis para o surgimento de doenças que já foram erradicadas do Brasil, como, por exemplo, o surto de sarampo em 2018, o surgimento de variantes mais agressivas, aumento na mortalidade infantil, aumento na exposição de grupos vulneráveis às doenças, maior circulação de patógenos, aumento na procura por atendimento médico nas redes de saúde e, consequentemente, os gastos com exames, internações e tratamento de doenças que poderiam ser evitadas através da vacinação adequada. Ainda, é possível entender como a escassez de informação pode ser favorecido pelas redes sociais, em função de que, na maioria das vezes, nos deparamos com conteúdos que não possuem verificação de dados e referências para melhor entendimento ou justificativa do que foi publicado. No levantamento de dados do MS, desperta interesse em relação as perguntas feitas pela população, são questionamentos alarmantes e impactantes que precisam ser debatidos para reforçar que não há verdade nas afirmações. Conclusão: nota-se que parte da população ainda apresenta resistência em se vacinar e, portanto, entende-se que o conhecimento técnico-científico e a participação ativa dos profissionais da enfermagem e demais áreas da saúde são indispensáveis, uma vez que eles desempenham um papel fundamental na reeducação da população, compartilhando orientações e conhecimentos de fontes seguras, confiáveis, verídicas e desmascarando mitos e fake news que circulam pelas redes sociais. A partir desse contexto, fica evidente a necessidade da implementação de novas estratégias para conscientização da população sobre a importância da vacinação e seus benefícios para a saúde individual e coletiva. Logo, sugere-se a promoção de encontros comunitários, educação digital, maior divulgação científica, palestras, verificação de dados de redes sociais, ações e atividades em escolas, visando aumentar a acessibilidade dos cidadãos a informações precisas, verdadeiras e embasadas na ciência. Além disso, deve-se proporcionar aos profissionais da saúde cursos de capacitação e ações em educação continuada com o propósito de mantê-los atualizados sobre novas recomendações e dados vacinais. A adoção de métodos para conscientização da população é imprescindível para que haja maior adesão das comunidades às vacinas disponibilizadas e para evitar que doenças preveníveis voltem a representar uma ameaça à saúde pública.

Palavras-chave: Vacinação. Saúde. Doenças imunopreveníveis.

 

REFERÊNCIAS

Machado, L. F. B. et al. Recusa vacinal e o impacto no surgimento de doenças erradicadas. BJSCR, v. 32, n. 1, p. 2317–4404, 2020.

Ministério da Saúde (BR). Organização Mundial da Saúde volta a alertar para o aumento de casos de sarampo em todo o mundo. Ministério da Saúde, Brasília, [s.d].

Ministério da Saúde (BR). Vacinação. Ministério da saúde, 2023.

Pfizer. Mães apontam falta de tempo, desinformação e dificuldades de acesso como barreiras para manter a vacinação dos filhos em dia. Pfizer, 2023.

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Publicado

22-04-2025

Como Citar

Amthauer, C., & Smaniotto, C. (2025). MOTIVOS E IMPACTOS DA BAIXA COBERTURA VACINAL PARA A SAÚDE PÚBLICA: UMA REVISÃO NARRATIVA. Anuário Pesquisa E Extensão Unoesc Joaçaba, 9, e37136. Recuperado de https://periodicos.unoesc.edu.br/apeuj/article/view/37136

Edição

Seção

Área das Ciências da Vida e Saúde – Resumos expandidos